Certamente, o jovem possuía muitos amigos com hábitos ainda semelhantes, cada qual à sua maneira, mas ainda assim, muito parecidos.
O fato é que sua vida não custou ao assassino muito mais que o valor de um celular e alguns trocados presentes na mochila, trocados esses utilizados para pagar o almoço de cada dia. Trocados arduamente conquistados com, não apenas o trabalho, mas anos de conhecimentos adquiridos para que, aquele jovem, pudesse se tornar um profissional de sucesso, um sonho muito próximo de se concretizar.
O que mais me assusta, não é a violência em si. Mas sim, a banalização da mediocridade humana. Os cidadãos são hoje obrigados a conviver com todo tipo de coisa errada. Os cidadãos são hoje obrigados a assumirem um risco todas as vezes que cruzam as portas de suas próprias casas. Ou melhor, os cidadãos assumem um risco todas as vezes em que permitem que mais um segundo corra no relógio e seres humanos medíocres que vivem ao seu redor possam arquitetar mais um repugnante ato criminoso.
Cada segundo que passa hoje, deve-se agradecer que não lançaram um míssil nuclear, que ninguém entrou com um carro em fuga da polícia pela sua porta da frente e que nenhum imbecil resolveu brigar com o motorista do ônibus ocasionando a queda do veículo do viaduto.
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O que falar de um deputado que declara que descendentes de africanos são amaldiçoados, que incita a homofobia além, é claro, de negociar com fiéis de sua igreja a doação de cartões e suas senhas?
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Pedem Metrô 24h/dia. Minha opinião é: isso é claramente a manifestação do desconhecimento da população e prova de que ela (na média, e não uma generalização) não está preocupada com a qualidade do serviço, mas sim com a possibilidade de sair à noite, beber o quanto quiser e poder retornar para casa sem o risco de ser retido pela polícia. Além disso, o fato de ser mais fácil ocorrer uma manifestação para Metrô 24/h do que outra para mais Metrô, demonstra como é fácil controlar a população brasileira. Ora, se um político com o devido poder para isso quisesse ganhar votos, bastaria fazer, irresponsavelmente, um projeto de lei que colocasse Metrô 24h/dia. Esse sairia um tanto menos custoso do que investir em novas linhas ou novas tecnologias. Porém não demoraria para surgirem os problemas de manutenção das linhas.
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Preciso dizer que mensagens em prol de animais e plantas me irritam um pouco. Não é que não seja necessário proteger animais ou a Floresta Amazônica, mas é que não vemos com a mesma frequência manifestações em prol de pessoas necessitadas. Afinal, somos pessoas ou não? Não deveríamos lutar juntos para o sucesso de nossa espécie? E se soubéssemos que a Terra estivesse para explodir e que haveria uma nave espacial para nos levar para outro planeta? Havendo apenas lugar para mais um, você escolheria levar o seu cachorro ou um indigente?
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Outro dia, quando saiu aquele ranking de IDH, vi uma filmagem de um político (não lembro e nem faço muita questão de lembrar quem) declarando, enraivecido, que a situação da educação no Brasil não era tão ruim quanto o apresentado pela ONU. Na verdade, os dados utilizados no índice teriam sido coletados há uns dois ou três anos. MAS É CLARO QUE MUITA COISA MUDOU DE LÁ PRA CÁ! (ironic mode off) Agora vejam que ele estava mais preocupado em justificar o seu fracasso do que lutar para melhorar a situação no ano que vem.
E nem vamos falar no absurdo que é a "determinação" existente para facilitar a aprovação de alunos nas escolas da rede pública do Brasil, unicamente para elevar índices de alfabetização e educação.
E então, quando políticos declararem que nos seus mandatos a taxa de alfabetização subiu de x% para x,0001%, é preciso desconfiar.
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Feliz 2013!
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